Vender ao metro linear: bobinas, troços, cortes mínimos e stock em metros
Cabo, tecido, corda ou perfis pedem-se em metros mas servem-se em bobinas, troços ou cortes. Revemos os quatro formatos, como se calcula a quantidade, o que fazer com os cortes mínimos e como gerir o stock.
«Preciso de 37 metros de mangueira». Se vende em bobinas de 25 m, o seu cliente precisa de duas. Se vende ao corte em incrementos de 1 m, precisa de 37. Se vende perfis de 3 m, precisa de 13, e sobram-lhe 2 m. Cada material tem a sua forma de ser servido, e se a loja não fizer a conta, faz o cliente, ou liga-lhe para que seja você a fazê-la.
Vender por comprimento bem feito tem uma regra: o cliente pede a medida de que precisa e a loja traduz essa medida em unidades que o seu armazém consegue preparar.
Os quatro formatos de venda por comprimento
- Bobinas ou tambores completos. Cabo, corda, corrente, mangueira, fita LED. Pede-se em metros e servem-se bobinas inteiras de um comprimento fixo.
- Troços ou varas completos. Tubos, perfis, molduras, rodapés, barras. Cada troço mede o que mede; não se corta.
- Pacotes de troços. Um pacote com um número de troços de um dado comprimento. O comprimento do pacote é o número de troços vezes o comprimento.
- Corte por medida. Tecido, cabo ao metro, fita, corda de rolo grande. Vende-se em incrementos de corte (por exemplo, de 0,5 m ou de 1 m).
Como se calcula a quantidade
- Comprimento que o cliente pede, na unidade do catálogo.
- Mais a quebra que fizer sentido: em perfis, por cortes e meias-esquadrias; em cabo, por ligações e percursos que nunca são exatos.
- A dividir pelo que mede uma unidade de venda (bobina, troço, pacote ou incremento de corte).
- Arredondado para cima, salvo motivo para outro critério.
Cortes mínimos e máximos
O corte mínimo existe porque cortar tem um custo: tempo, quebra do rolo e um pedaço final difícil de vender. Se tiver um mínimo, deve estar em três sítios:
- Na ficha, por escrito.
- Na calculadora, que não deixe pedir menos.
- No carrinho, que não permita baixar a quantidade abaixo dele ao editá-la.
O máximo também faz sentido: se um corte ultrapassar o que cabe num rolo, é melhor a ficha dizê-lo do que o armazém descobrir que é preciso servir dois pedaços quando o cliente esperava um contínuo.
Unidades: metros, centímetros, pés
A maioria das lojas trabalha em metros, mas nem todos os produtos: a fita LED de importação vem em pés, a fita de tecido em centímetros, a tubagem industrial em milímetros. Convém poder fixar uma unidade para a loja e alterá-la produto a produto, e que o cliente veja sempre a mesma unidade na ficha, no carrinho e na fatura.
O stock em metros
Com bobinas e troços completos o stock conta-se em unidades, como sempre. Com o corte por medida não: tem 200 m de tecido num rolo e vende pedaços. O stock tem de estar em metros e ser descontado em metros, e a loja deve impedir vender 15 m se restarem 12.
- Decida por produto se o stock vai em unidades ou em comprimento.
- Se um rolo ficar com uma sobra abaixo do corte mínimo, tenha-o previsto: ou a vende como retalho, ou a abate.
- Faça a contagem física dos rolos ao corte com mais frequência do que a do resto: é onde mais se desacerta.
Preço por metro: como mostrá-lo
O preço do produto no PrestaShop deve ser o de uma unidade de venda (uma bobina, um troço, um incremento de corte). O preço por metro vai como informação na ficha. Se vende a consumidores, a legislação espanhola de indicação de preços (Real Decreto 3423/2000) pede em muitos casos o preço por unidade de medida: mostrá-lo resolve a dúvida.
O que não funciona é o contrário: pôr preço por metro e quantidade em metros para um produto que se serve em bobinas de 25 m. O cliente pede 37 «unidades», o armazém não sabe o que preparar e a fatura não bate certo com a guia de remessa.
Erros frequentes
- Vender cabo «ao metro» quando na realidade só serve bobinas inteiras.
- Não avisar do corte mínimo até o cliente já ter pago.
- Calcular troços sem quebra em perfis que se cortam em meia-esquadria.
- A encomenda não dizer que comprimento o cliente pediu: impossível tratar uma reclamação.
- Stock ao corte gerido em unidades: um dia vende um rolo que já não existe.
Checklist
- Formato escolhido por produto: bobina, troço, pacote ou corte.
- Comprimento por unidade confirmado com o fornecedor.
- Quebra por defeito e a do produto, se for diferente.
- Mínimo e máximo de unidades.
- Unidade de medida coerente na ficha, no carrinho e na fatura.
- Stock na unidade correta.
- Uma encomenda de teste revista até ao e-mail de confirmação.
Perguntas frequentes
Posso vender o mesmo cabo em bobina e ao corte? Sim, mas como dois produtos (ou duas combinações) diferentes, cada um com o seu formato, o seu preço e o seu stock. Misturá-los num único produto torna impossível saber o que tem no armazém. O habitual é a bobina inteira sair um pouco mais barata por metro do que o corte, e mostrar esse preço por metro nas duas fichas ajuda o cliente a decidir.
O que faço com os retalhos? Se o fim de um rolo ficar abaixo do corte mínimo, pode publicá-lo como produto próprio («retalho de 1,3 m») com stock 1, ou abatê-lo como quebra. O que não convém é deixá-lo no stock do rolo: a loja vai julgar que pode vender um corte que não existe.
Como calculo o envio de uma encomenda ao metro? A transportadora cobra por peso e volume, não por metros. Cada unidade de venda (bobina, troço, incremento de corte) deve ter o seu peso e, nos troços longos, as suas dimensões, porque um perfil de 6 m não viaja em qualquer serviço. Reveja os produtos mais compridos com a sua transportadora antes de os publicar.
E se o cliente precisar de um corte exato, sem incrementos? Fixe o incremento de corte mais pequeno que conseguir servir (por exemplo, 10 cm). Assim o cliente pede quase exatamente o que precisa e o seu armazém continua a trabalhar com medidas que consegue cortar e verificar.
Como resolvê-lo no PrestaShop
RKR Linear Pricing Pro põe na ficha uma calculadora em que o cliente escreve o comprimento e vê de imediato quantas bobinas, troços, pacotes ou incrementos de corte lhe correspondem, o comprimento total que vai receber, o preço por unidade e o total. Trabalha com seis unidades de medida (mm, cm, m, km, pés e polegadas) ao nível da loja ou do produto, soma uma quebra por defeito e outra por produto, arredonda para cima por defeito, admite mínimo e máximo de unidades e gere o stock em metros. O preço do seu produto continua a ser o de uma unidade de venda, e o detalhe chega ao carrinho, à encomenda, à fatura PDF e aos e-mails.
Para o que vende por superfície (pavimentos, azulejo, placas), RKR Area Pricing Pro aplica a mesma lógica aos m².